A vida de Paulo Renato

PAULO RENATO DA COSTA AQUINES, era um jovem sorridente, sempre de bem com a vida, jamais ficava sério ou mal humorado, seu sorriso transmitia alegria a quem convivesse com ele. No lugar que adentrava sua "aura" nos transmitia confiança e bem estar. Como era muito estudioso e gostava de boas leituras abordava qualquer assunto e gostava de tudo o que fazia. Era honesto, trabalhador, enfim, um homem íntegro, útil à sociedade, jamais tendo se envolvido em qualquer delito, por menor que fosse.

Feliz a pessoa que teve a oportunidade de conviver com PAULO RENATO!

Esse jovem cursou o primeiro grau da Escola Estadual Professor Chaves, em Sant'Ana do Livramento/RS; fez seu segundo grau em técnico bioquímico/ zootecnia, na Escola Estadual Júlio de Castílhos, em Porto Alegre/RS.


Desde o primário sempre demonstrou gostar da carreira militar, haja vista que na escola que estudava, participava de um grupo de policiais -mirins que eram responsáveis e ajudavam na disciplina de seus colegas.


Aos 18 anos entrou para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército Brasileiro(C.P.O.R.), em Porto Alegre/RS. Fez seu estágio de instrução no 4° RCC - Regimentos de Carros e Combate, em Rosário do Sul/RS.

Paulo Renato fez estágio de instrução no 4° RCC( Regimento de Carros de Combate) como oficial de comunicações da unidade. Foi escolhido para essa função por estar cursando a Faculdade de Engenharia Elétrica na PUC/RS.

Foram escolhidos três jovens para o estágio de serviço(dois anos) e PAULO RENATO foi um deles e seguiu para O 1° RCGd - Regimento de Cavalaria de Guarda, (Dragões da Independência), em Brasília/DF. Neste período fez curso de especialização em armamento, munições e explosivos, no 11° Pel. Rem.- Pelotão de Remuniciamento, em Brasília/DF.



Em Brasília, já como oficial do Exército Brasileiro(2° tenente ) exerceu as funções de comandante da guarda do Palácio da Alvorada, considerando que a principal missão do 1° RCGd, é a segurança presidencial. Nesta organização militar foi oficial de munições da unidade, oficial de tiros do esquadrão, comandante de pelotão hipomóvel e de pelotão de manutenção do regimento.Participou da Ação Cívica Social promovida pelo Exército, no Estado de Tocantins

Constam nas suas folhas de alterações do Ministério do Exército- C M P - 11º RM, 1º RCGd - Guarnição de Brasília-DF, as seguintes Recompensas:

  • RECOMPENSA - BI nº 193, de 14 de out 86, concedeu-lhe 04 dias de dispensa como recompensa, devendo se apresentar PR/SV, nesta data. - BI nº 241, de 24 de Dez de 86 transcreveu a seguinte referência elogiosa formulada pelo Ten. Cel. NELSON MESQUITA, Chefe da 5ª Seção do CPM/11º RM, nos seguintes termos: 2º Ten. Temp. PAULO RENATO DA COSTA AQUINES, após o término das atividades realizadas durante o ACISO desenvolvida em SILVANÓPOLIS/GO, no período de 28 de setembro a 09 de outubro de 1986, é dever de justiça destacar a atuação deste companheiro, que a despeito do caráter temporário de sua missão, rapidamente deu viva mostra de seu espírito de abnegação, entrosando-se perfeitamente aos demais integrantes das diversas Instituições que lá trabalharam para que os objetivos propostos pudessem ser atingidos plenamente. Graças à dedicação, zelo e alto grau de responsabilidade de que é possuidor, os resultados obtidos não poderiam ter sido melhores (INDIVIDUAL). Assina: CARIVALDO SPANGEMBERG CHAVES - Cel. Comandante do 1º RCGd

  • RECOMPENSA - BI nº 046, de 12 de março de 87, foi elogiado por este Comando nos seguintes termos: 2º Ten. Temp. Cav. PAULO RENATO DA COSTA AQUINES - Ao deixar o Comando do 1º RCGd, é com imenso prazer que elogio o Tenente pelo imenso desempenho profissional como subalterno do 2º Esquadrão de Fuzileiros Hipo. Dedicado e interessado, não mediu esforços para desempenhar com ótimo rendimento suas obrigações profissionais, tendo sacrificado por várias vezes suas horas de lazer para dedicá-las ao serviço e á instrução. Educado, leal e de excepcional caráter, em todas as ocasiões soube portar-se à altura de um exemplar Oficial de Cavalaria. Se torna difícil em se destacar virtudes que apresenta tantas e em grau tão elevado, por isso só resta-me agradecer-lhe o prazer do convívio nestes dois anos e desejar-lhe sucesso nos anos vindouros (INDIVIDUAL). Elogio conferido pelo Cel. CARIVALDO SPAGEMBERG CHAVES.

  • RECOMPENSA - BI nº 021, de 01 de Fev de 88, foi elogiado, por este Comando, nos seguintes termos: 2º Ten. Temp. Cav. PAULO RENATO DA COSTA AQUINES- Despede-se hoje do nosso convívio por motivo de seu afastamento das fileiras do Exército o 2º Ten. Temp. Cav. PAULO RENATO DA COSTA AQUINES. Incorporou a 20 de Fev 84, quando de sua matrícula no CPOR, em Porto Alegre/RS, sendo declarado Asp. Of. em 22 Dez 84. Como Asp. Of. realizou seu estágio de Instrução no 4º RCC, em Rosário do Sul, RS, no ano de 1985. Em 30 Jan 86 apresentou-se no nosso Regimento para realizar seu Estágio de Instrução Complementar, perfazendo assim dois anos de Oficialato do Exército. Desempenhou a função de subalterno no 2º e 3º Esqd Fzo, no ano de 1986 e subalterno do Esqd CSv durante o ano de 1987. Oficial educado, leal e de excepcional caráter. Ao desligar o Te. COSTA agradeço a colaboração prestada ao meu Comando e apresento as despedidas dos DRAGÕES DA INDEPENDÊNCIA, formulando votos de felicidades na vida que ora inicia ( INDIVIDUAL). Assina: EVALDO RIBEIRO DA SILVA- Cel. Comandante do 1º RCGd





Integrou a equipe de pólo e adestramento de cavalos para salto do regimento. Retornando a POA/RS continuou cursando a engenharia elétrica, na PUC/RS, faltando-lhe somente dois semestres para concluir o curso.

Como deveria custear seus estudos, estudava à noite e trabalhava durante o dia. Foi INSTRUTOR DE SEGURANÇA na Escola de Formação de Vigilantes, na Empresa TRANSFORTESUL, dando aulas de tiro, explosivos e comunicações, com o devido registro e permissão junto à Polícia Federal. Nessa empresa trabalhou junto à gerência operacional e ainda criou um sistema VIP DE SEGURANÇA (telealarme), fazendo projetos de sistemas de alarme e monitoramento de bancos, indústrias e residências particulares.


Considerando que foi decretada a falência da empresa TRANSFORTESUL, passou a trabalhar na PROSEGUR - EMPRESA DE TRANSPORTES DE VALORES E VIGILÂNCIA, onde era INSTRUTOR DE SEGURANÇA FÍSICA DE INSTALAÇÕES, para o curso de vigilantes, PLANEJAMENTO DE SISTEMA DE SEGURANÇA, para o curso de supervisores, de vigilantes, DE ALARMES E ARTEFATOS EXPLOSIVOS, para o curso de segurança pessoal privada.



Além de tudo o que fazia ainda administrava uma empresa familiar do ramo farmacêutico e como já estava quase concluindo o curso de engenharia elétrica, realizava projetos e executava sistemas de alarmes eletrônicos de segurança, a nivel privado.


Esse jovem tão especial, quando fechou a farmácia e dirigia-se para sua casa, no dia 17/10/98, às 21h 30min. , teve sua vida ceifada brutalmente por assassinos e assaltantes menores, que deveriam estar recolhidos na FEBEM e não estavam, porque ao abrigo da Lei estavam em liberdade vigiada. Assim por culpa exclusiva do Estado, a quem compete nos proporcionar segurança, são diariamente assassinadas pessoas inocentes e trabalhadoras. E o pior é que a maioria desses crimes são praticados por menores, os quais estão sob a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente (o famoso ECA). Os três menores já tinham passagem pela FEBEM e o que alvejou PAULO RENATO, tinha 15 passagens na FEBEM. Pergunta-se por que estava solto um elemento tão perigoso para a sociedade? Se estivesse interno, como determina o ECA, não teria ceifado uma vida tão preciosa e valiosa!

Esse assalto ocorreu na empresa Sentinela, na linha de ônibus Jardim IPÊ, no Bairro Petrópolis e com a agravante de o chofer do ônibus ter deixado PAULO RENATO, com vida sobre a calçada e fugido covardemente, sem prestar-lhe socorro.

Os assassinos eram em número de três, dois deles  armados  com revólveres bem municiados e Paulo Renato mesmo desarmado tentou proteger os passageiros do ônibus, não reagindo quando entregou seus pertences e sua jaqueta de couro. Não pensou em sua vida mas na segurança dos passageiros, uma vez que sempre foi contra a violência e lutou para que o bem predominasse sobre o mal. Não agiu com  imprudência, nem negligencia uma vez que sua formação era para defender e proteger sem ficar a mercê de "menores assassinos", que andam tranqüilamente em nosso meio, por culpa de uma legislação arcaica e que não acompanha os anseios  da sociedade e por isso deve ser revogada ou reformada imediatamente.

Faz-se urgente e necessário trabalharmos e lutarmos pela nossa segurança, já que o Estado não avoca para si a proteção da sociedade. Ainda mais agora que os assassinos estarão cada vez mais armados e nós simplesmente desarmados.

A premissa de que não reaja não pode ser enfocada como uma resolução para terminarmos com a violência, uma vez que a reação é expontânea e nenhum de nós sabe como irá reagir no momento de um assalto ou violência. Depende de temperamento, de comportamento, de formação, enfim até emoção psicológica. Será que um policial que recomenda " não reaja a um assalto", terá a coragem de ver uma filha sua estuprada sem qualquer reação? Essa recomendação é utópica e sem sentido.

PAULO RENATO era tão admirado pelos seus colegas devido a sua simpatia e inteligência que após sua partida foi deixada esta mensagem em seu túmulo por um de seus amigos:


" Ten. Costa - Sinto-me privilegiado por ter convivido alguns anos de minha vida ao teu lado. Aprendi valores que só encontramos em pessoas verdadeiramente honradas e honestas.

Foste bravo, enfrentaste a violência quando poderia ter simplesmente se omitido. Sustentaste os valores esculpidos na farda verde oliva até a morte.

Caro amigo e padrinho de farda , saibas que eu nunca esquecerei, levarei para sempre comigo a sua lição de vida e a sua coragem inquietante. Amanhã dia 13.09.99, estarias completando 34 anos. A saudade é grande, entretanto um dia estaremos juntos novamente, e até que esta dia chegue, eu prometo seguir e honrar o caminho que deixaste".

Marcelo de Jesus

Ten. Jesus - CPOR 1996


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